Português - Gramática - Redação - Literatura





Alexandre Herculano

Almeida Garret

Aluísio Azevedo

Álvares de Azevedo

Antero de Quental

Artur Azevedo

Augusto dos Anjos

Basílio da Gama

Bento Teixeira

Bernardo Guimarães



Bocage

Camilo Castelo Branco

Casimiro de Abreu

Castro Alves

Claudio Manuel da Costa

Cruz e Souza

Eça de Queiros

Euclides da Cunha





NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DO PORTUGUÊS


ANGOLA, BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, MOÇAMBIQUE, PORTUGAL, SÃO TOMÉ  E PRÍNCIPE TIMOR-LESTE.



INFORMAÇÕES INICIAIS

A Língua Portuguesa é considerada a quinta língua mais falada no mundo (240 milhões de pessoas) e será reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) como uma língua de padrão internacional, pois entre as línguas mais utilizadas no planeta, a portuguesa era a única que ainda não estava unificada.


O texto do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) é composto basicamente de 74 regras contidas em 21 bases (pontos) que norteiam a escrita da Língua Portuguesa, conforme a seguir:


Base I - Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados.

Base II - Do h inicial e final.

Base III - Da homofonia de certos grafemas consonânticos.

Base IV - Das sequências consonânticas.

Base V - Das vogais átonas.z

Base VI - Das vogais nasais.

Base VII - Dos ditongos.

Base VIII - Da acentuação gráfica das palavras oxítonas.

Base IX - Da acentuação gráfica das palavras paroxítonas.

Base X - Da acentuação das vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas.

Base XI - Da acentuação gráfica das palavras proparoxítonas.

Base XII - Do emprego do acento grave.

Base XIII - Da supressão dos acentos em palavras derivadas.

Base XIV - Do trema.

Base XV - Do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares.

Base XVI - Do hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação.

Base XVII - Do hífen na ênclise, na tmese (mesóclise) e com o verbo haver.

Base XVIII - Do apóstrofo.

Base XIX - Das minúsculas e maiúsculas.

Base XX - Da divisão silábica.

Base XXI - Das assinaturas e firmas.

Prof.Nelson Guerra

Presidência da República

Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos



DECRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008


Promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.


O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e Considerando que o Congresso Nacional aprovou, por meio do Decreto Legislativo no 54, de 18 de abril de 1995, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990;


Considerando que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação do referido Acordo junto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, na qualidade de depositário do ato, em 24 de junho de 1996;


Considerando que o Acordo entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 2007, inclusive para o Brasil, no plano jurídico externo;


DECRETA:

Art. 1º O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, entre os Governos da República de Angola, da República Federativa do Brasil, da República de Cabo Verde, da República de Guiné-Bissau, da República de Moçambique, da República Portuguesa e da República Democrática de São Tomé e Príncipe, de 16 de dezembro de 1990, apenso por cópia ao presente Decreto, será executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém.


Art. 2º O referido Acordo produzirá efeitos somente a partir de 1o de janeiro de 2009.


Parágrafo único. A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida.


Art. 3º São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, assim como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do art. 49, inciso I, da Constituição, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.


Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 29 de setembro de 2008; 187o da Independência e 120o da República.


LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Celso Luiz Nunes Amorim





ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA


Considerando que o projeto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado em Lisboa, em 12 de outubro de 1990, pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, com a adesão da delegação de observadores da Galiza, constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional, Considerando que o texto do acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos Países signatários, a República Popular de Angola, a República Federativa do Brasil, a República de Cabo Verde, a República da Guiné-Bissau, a República de Moçambique, a República Portuguesa, e a República Democrática de São Tomé e Príncipe, acordam no seguinte:




Artigo 1º - É aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que consta como anexo I ao presente instrumento de aprovação, sob a designação de Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) e vai acompanhado da respectiva nota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo instrumento de aprovação, sob a designação de Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990).




Artigo 2º - Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.




Artigo 3º - O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1o de janeiro de 1994, após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa.
Artigo 4º - Os Estados signatários adotarão as medidas que entenderem adequadas ao efetivo respeito da data da entrada em vigor estabelecida no artigo 3o. Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente credenciados para o efeito, aprovam o presente acordo, redigido em língua portuguesa, em sete  exemplares, todos igualmente autênticos.
Assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.



ANEXO I: ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA (1990)


Base I: Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados


1º) O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:


Letra
Pronúncia
Letra
Pronúncia
Letra
Pronúncia
Letra
Pronúncia
a A
(á)
h H
(agá)
o O
(ó)
v V
(vê)
b B
(bê)
i I
(i)
p P
(pê)
w W
(dáblio)
c C
(cê)
j J
(jota)
q Q
(quê)
y Y
(ípsilon)
d D
(dê)
k K
(capa ou cá)
r R
(erre)
z Z
(zê)
e E
(é)
l L
(ele)
s S
(esse)
x X
(xis)
f F
(efe)
m M
(eme)
t T
(tê)
g G
(gê ou guê)
n N
(ene)
u U
(u)


Observação:

1. Além destas letras, usam-se o ç (cê cedilhado) e os seguintes dígrafos:

    rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u) e qu (quê-u).

2. Os nomes das letras acima sugeridos não excluem outras formas de as designar.


2º) As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:

a) Em antropónimos/antropônimos originários de outras línguas e seus derivados:


Byron
byroniano
Taylor
taylorista
Darwin
darwinismo
Wagner
wagneriano
Franklin
frankliniano
Kant
kantismo


b) Em topónimos/topônimos originários de outras línguas e seus derivados:

   

Kwanza, Kuwait
kuwaitiano
Malawi
malawiano


c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso internacional:       


TWA, KLM
W
Oeste, West
yd
jarda yard
K
potássio (de kalium)
km
quilómetro
Watt
kg
quilograma
kW
kilowatt


3º) Em congruência com o número anterior, mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa escrita que figurem nesses nomes:


comtista
de Comte
mülleriano
de Müller
garrettiano
de Garrett
shakespeariano
de Shakespeare
jeffersónia/jeffersônia
de Jefferson


Os vocabulários autorizados registrarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação de certas palavras de tal tipo de origem (a exemplo de.


fúcsia/ fúchsia
e derivados
buganvília/ buganvílea/ bougainvíllea)


substantivo feminino
1- Rubrica: angiospermas. design. comum às plantas do gên. Fuchsia, da fam. das onagráceas, que reúne 105 spp., 100 na América Central e do Sul, quatro na Nova Zelândia e uma no Taiti, arbustos em sua maioria, ger. escandentes, ou árvores com flores solitárias ou em corimbos, quase sempre campaniformes, grandes, vistosas, carnosas e pêndulas, com os lobos do cálice maiores que as pétalas e longos estames, e bagas vermelhas, ger. comestíveis; brinco-de-princesa, lágrima, mimo [Algumas têm uso medicinal, mas são esp. cultivadas por seu alto valor ornamental, com mais de 1000 híbridos e variedades, e as flores contêm fucsina, são mais globosas ou mais afuniladas e combinam uma, duas ou mais cores (branco, verde, azul, vermelho, roxo) ao tom de cor-de-rosa homônimo (fúcsia).]
3- tom de cor-de-rosa, forte, vivo e levemente purpúreo, próximo ao magenta, ger. presente no cálice das flores dessas plantas
4º) Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da tradição bíblica,

como
ou então simplificar-se
Baruch
Baruc
Loth
Lot
Moloch
Moloc
Ziph
Zif

Se qualquer um destes dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se:

em vez de
José
Joseph
Nazaré
Nazareth
Judite
Judith

e se algum deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica:
5º) As consoantes finais grafadas b, c, d, g e t mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeadamente antropónimos/antropônimos e topónimos/topônimos da tradição bíblica:
Onomástica: substantivo feminino:
 1- relação, coleção, lista de nomes próprios.
2- Rubrica: lingüística.: estudo lingüístico dos nomes próprios; onomástico, onomatologia
     [Compreende várias subdivisões, como a antroponímia, a astronímia, a mitonímia, a toponímia, etc.]
   Antroponímia: substantivo feminino
1- parte da onomástica dedicada ao estudo e à etimologia dos nomes próprios de pessoa.

Escreve-se
Pronuncia-se
Escreve-se
Pronuncia-se
David
David, Davi
Jacob
Jacob, Jacó
Gad
Gad
Job
Job, Jó
Cid
Cid
Moab
Moab
Madrid
Madrid, Madri
Gog
Gog
Valhadolid
Valhadolid, Valhadoli
Magog
Magog
Isaac
Isaac
Bensabat
Bensabat
Josafat
Josafat

Madrid e Valhadolid, em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calecut ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições.
Nada impede, entretanto, que dos antropónimos/antropônimos em apreço sejam usados sem a consoante final: , Davi e Jacó.


6º) Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente.


Exemplo:

Substituído por
Substituído por
Anvers
Antuérpia
Milano
Milão
Cherbourg
Cherburgo
München
Munique
Garonne
Garona
Torino
Turim
Genève
Genebra
Züric
Zurique
Jutland
Jutlândia


Base II: Do h inicial e final

1º) O h inicial emprega-se:


a) Por força da etimologia
b) Em virtude de adoção convencional
haver
homem
hã?
hélice
humor
hem?
hera
hum!
hoje
hora


2º) O h inicial suprime-se:


a) Quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso:

erva, em vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem erudita);


b) Quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao precedente:


biebdomadário
exaurir
reabilitar
desarmonia
inábil
reaver
desumano
lobisomem


Exaurir: transitivo direto e pronominal

1- despejar(-se) até a última gota, esgotar(-se) inteiramente. Ex.: e.(-se) o líquido de uma garrafa

 transitivo direto e pronominal

2       tornar(-se) seco. Ex.: <a falta de chuva exauriu o leito do rio> <as águas exauriram-se>

 transitivo direto e pronominal

3- dissipar(-se) inteiramente; gastar(-se). Ex.: <o combate exauriu suas forças> <exauriam-se as esperanças>

 transitivo direto e pronominal

3.1    tornar(-se) pobre, depauperado. Ex.: <os gastos excessivos exauriram a economia> <as finanças exauriram-se>

 transitivo direto e pronominal

4- tirar ou perder todo o conteúdo; consumir(-se). Ex.: <a corrida ao ouro exauriu as minas> <exauriram-se as jazidas>

 transitivo direto e pronominal:

5- tornar(-se) cansado, exausto. Ex.: <o excesso de trabalho exauriu-o> <exauria-se em múltiplas tarefas>


3º) O h inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que está ligado ao anterior por meio de hífen:


anti-higiénico
antihigiênico
contra-haste
sobre-humano
pré-história


4º) O h final emprega-se em interjeições: ah! oh!


Base III: Da homofonia de certos grafemas consonânticos

Dada a homofonia existente entre certos grafemas consonânticos, torna-se necessário diferençar os seus empregos, que fundamentalmente se regulam pela história das palavras. É certo que a variedade das condições em que se fixam na escrita os grafemas consonânticos homófonos nem sempre permite fácil diferenciação dos casos em que se deve empregar uma letra e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, a representar o mesmo som.


Nesta conformidade, importa notar, principalmente, os seguintes casos:


1º) Distinção gráfica entre ch e x:


ch
x
achar
colchão
macho
ameixa
eixo
vexar
archote
colchete
mancha
anexim
elixir
xadrez
bucha
endecha
murchar
baixel
enxofre
xarope
capacho
estrebucha
nicho
baixo
faixa
xenofobia
capucho
facho
pachorra
bexiga
feixe
xerife
chamar
ficha
pecha
bruxa
madeixa
xícara
chave
flecha
pechincha
coaxar
mexer
chico
frincha
penacho
coxia
oxalá
chiste
gancho
rachar
debuxo
praxe
chorar
inchar
sachar
deixar
puxar
tacho
rouxinol


Archote: substantivo masculino

1- corda de esparto, untada de breu, que se acende para iluminar um lugar ou caminho; tocha, facho

2- Diacronismo: antigo. grande vela de cera; tocha.

3- Regionalismo: Portugal. Uso: linguagem de delinquentes. copo grande, com vinho.

4- Rubrica: termo de marinha. chicote ('extremidade') de cabo, com volta, preso na parte que suporta esforço do próprio cabo.


Capacho

1- substantivo masculino: espécie de abafo de fibra, cilíndrico, us. para aquecer os pés.

   2- Derivação: por extensão de sentido. pequeno tapete de fibra, esparto, palha ou outro material onde se limpam os   pés.

3- Derivação: por metáfora. Uso: informal. pessoa servil e bajuladora; puxa-saco.

4- Derivação: sentido figurado. Regionalismo: Brasil. Uso: informal, linguagem de delinqüentes.

indivíduo encarregado da faxina da prisão.

5- Regionalismo: Portugal. cesto para cal.

6- Regionalismo: Açores. esteira onde se colocam as uvas a escolher.


Endecha substantivo feminino. 1- Rubrica: versificação.

composição poética sobre assunto melancólico, formada de estâncias de quatro versos de cinco sílabas; romancilho

2- Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: versificação. poesia fúnebre de tom melancólico

3- Derivação: por extensão de sentido. canção triste, de tom lamentoso e sentimental

4- Rubrica: música. variedade de canção fúnebre portuguesa do sXVI.


  Estrebuchamento: ação ou efeito de estrebuchar; convulsão, estremecimento, estrebucho.


Facho: material inflamável que se acende para iluminação ou como sinal; archote

2- Rubrica: arquitetura. esse objeto pintado ou esculpido e freq. transformado em padrão decorativo,

     ger. dourado, muito us. na arquitetura neoclássica e eclética

3- Derivação: sentido figurado. Tudo que esclarece o espírito ou atua como um guia. Ex.: o f. do saber

4- Derivação: sentido figurado. o que acende paixões, desencadeia calamidades. Ex.: o f. da revolta

5- Rubrica: economia. Regionalismo: Nordeste do Brasil. Uso: informal. m.q. mil-réis

6- Regionalismo: Minas Gerais, São Paulo. qualquer vegetal ressequido que, nas queimadas, se inflama facilmente


Frincha:  1- qualquer abertura estreita; fenda, fresta.

2- Regionalismo: Bahia. fratura na rocha, que pode estender-se por vários quilômetros e ao longo da qual os garimpeiros retiram o cascalho em busca de diamante.

3- Regionalismo: Bahia. ferramenta us. para desprender o cascalho que essas fraturas encerram.

4- Regionalismo: Brasil. canal bastante estreito.

5- Regionalismo: Minas Gerais. Uso: informal. m.q. meretriz.

Pachorra: falta de pressa ou de aplicação; calma excessiva, paciência embotada

Pechincha: interesse ou vantagem material considerável.
2- lucro que não se espera e/ou que não se merece. 3- qualquer coisa cujo preço é muito baixo; barganha.

Penacho: conjunto de penas para enfeitar chapéus, capacetes etc.
2- Derivação: por analogia.qualquer forma semelhante, como a de algumas inflorescências, à cauda de certos animais etc.
3- Rubrica: anatomia zoológica.m.q. crista ('ornato')

Rachar: transitivo direto, intransitivo e pronominal
1- abrir rachadura(s) em ou adquirir rachadura(s); fender(-se), partir(-se). Ex.: <o calor do sol rachou a calçada> <o vaso rachou(-se)>

transitivo direto:
2- abrir de meio a meio. Ex.: ao cair, o lustre rachou o tampo da mesa
3- fazer em estilhas; lascar. Ex.: r. lenha
4- dividir (lenha) longitudinalmente
7- ferir, produzindo racha. Ex.: a pancada rachou a sua cabeça
8- agredir verbalmente; injuriarEx.: rachou-o na frente de todos
9- Rubrica: futebol. atingir (o adversário) com violência
10- Rubrica: música. alterar as características naturais de (som), em instrumentos de metal; distorcer

transitivo direto e bitransitivo
5- Regionalismo: Brasil. dar (a alguém) a metade de (algo). Ex.: <racharam a comida, que era muita> <r. lucros (com alguém)>
6- Regionalismo: Brasil. dividir (algo) proporcionalmente (entre várias pessoas); repartir.
Ex.: racharam (com os amigos) a conta no restaurante.

Sachar: transitivo direto. lavrar, escavar ou mondar (a terra) com o sacho

2º) Distinção gráfica entre g, com valor de fricativa palatal,

adágio
algibebe
estrangeiro
gelosia
ginja
Tânger
alfageme
algibeira
falange
gengiva
girafa
virgem
Álgebra
álgido
ferrugem
gergelim
gíria

algema
almargem
frigir
geringonça
herege

algeroz
Alvorge

Gibraltar
relógio

Algés
Argel

ginete
sege


e j:

adjetivo
granjear
jeito
Jericó
jiquiró
lojista
pegajento
ajeitar
hoje
Jeová
jerimum
jiquitaia
majestade
rejeitar
ajeru
intrujice
jenipapo
Jerónimo
jirau
manjerico
sujeito
canjerê
jecoral
jequiri
Jesus
jiriti
manjerona
trejeito
canjica
jejum
jequitibá
jibóia,
jitirana
mucujê
majestoso
enjeitar
jeira
Jeremias
jiquipanga
laranjeira
pajé


Ajeru: nome de planta indiana e de uma espécie de papagaio.

3º) Distinção gráfica entre as letras s, ss, c, ç e x, que representam sibilantes surdas:
s:

ânsia
esconso
mansarda
seda
Singapura
valsa
ascensão
farsa
manso
Seia
Sintra

aspersão
ganso
pretensão
Sertã,
sisa

cansar
imenso
remanso
Sernancelhe
tarso

conversão
mansão
seara
serralheiro
terso


ss:

abadessa
asseio
devassar
fosso
pêssego
acossar
atravessar
dossel
gesso
possesso
amassar
benesse
egresso
molosso
remessa
arremessar
Cassilda
endossar
mossa
sossegar
Asseiceira
crasso
escasso
obsessão


codesso: identicamente Codessal ou Codassal, Codesseda, Codessoso, etc.

c:

acém
Cernache
obcecar
acervo
cetim
percevejo
alicerce
Cinfães

cebola
Escócia

cereal
Macedo


ç:

açafate
berço
dançar
linguiça
Monção
peça
Suíça
açorda
Buçaco
Eça
maçada
muçulmano
quiçaba
terço
açúcar
caçanje
enguiço
Mação
murça
quiçaça

almaço
caçula
Gonçalves
maçar
negaça
quiçama

atenção
caraça
inserção
Moçambique
pança
quiçamba


Seiça: grafia que pretere as erróneas/errôneas Ceiça e Ceissa, Seiçal.

x:

auxílio
próximo
Maximiliano
sintaxe
Maximino

máximo


4º) Distinção gráfica entre s de fim de sílaba (inicial ou interior) e x e z com idêntico valor fónico/fônico:
s:

adestrar
escusar
esplêndido
estender
Calisto
esdrúxulo
espontâneo
Estremadura

esgotar
espremer
Estremoz

esplanada
esquisito
inesgotável

x:
extensão
inextricável
sextante
têxtil
explicar
inexperto


extraordinário




z:

capazmente
infelizmente
velozmente

De acordo com esta distinção convém notar dois casos:

a) Em final de sílaba que não seja final de palavra, o x = s muda para s sempre que está precedido de i ou u:


Em vez de

Em vez de
justapor
juxtapor
Sisto
Sixto
justalinear
juxtalinear
Sistino: cf. Capela Sistina
sixtina
misto
mixto



b) Só nos advérbios em –mente se admite z, com valor idêntico ao de s, em final de sílaba seguida de outra consoante (cf. capazmente, etc.); de contrário, o s toma sempre o lugar de z: Biscaia, e não Bizcaia.

5º) Distinção gráfica entre s final de palavra e x e z com idêntico valor fónico/fônico:

S

aguarrás
Brás
Garcês
Inês
Jesus
lápis
país
Queirós
retrós
Tomás
aliás

gás
íris
jus
Luís
português
quis
revés
Valdés
anis
Dinis
Gerês







após









atrás









através









Avis










X

assaz
Cádis
dez
fiz
Galaaz
jaez
matiz
petiz
Queluz
Romariz
[Arcos de] Valdevez
arroz
cálix
diz
Félix
giz





Vaz
avestruz


Fénix










flux










Forjaz








fez: substantivo e forma do verbo fazer.

A propósito, deve observar-se que é inadmissível z final equivalente a s em palavra não oxítona:
Cádis, e não Cádiz.


º) Distinção gráfica entre as letras interiores s, x e z, que representam sibilantes sonoras:
S
aceso
Baltasar
[Marco de] Canaveses
defesa
Elisa
frenesi
guisa
analisar
besouro
coliseu
duquesa
empresa
ou frenesim

anestesia
besuntar


Ermesinde
frisar

artesão
blusa


Esposende


asa
brasa





asilo
brasão






Brasil






brisa






improviso
jusante
liso
Matosinhos
narciso
obséquio
pesquisa
raso
sacerdotisa


lousa
Meneses
Nisa
ousar
portuguesa
represa
Sesimbra


Lousã



presa
Resende
Sousa








surpresa








tisana








transe








trânsito








vaso

    Luso: nome de lugar, homónimo/homônimo de Luso, nome mitológico.

X

exalar
inexato
exemplo
inexorável
exibir

exorbitar

exuberante


Z

abalizado
baliza
comezinho
deslizar
Ezequiel
fuzileiro
Galiza
helenizar
lambuzar
urze
alfazema
bazar

deslize


guizo

lezíria
vazar
Arcozelo
beleza






Mouzinho
Veneza
autorizar
buzina






proeza
Vizela
azar
búzio






sazão
Vouzela
azedo









azo









azorrague










Base IV: Das sequências consonânticas
1º) O c, com valor de oclusiva velar, das sequências interiores cc (segundo c com valor de sibilante), e ct, e o p das sequências interiores pc (c com valor de sibilante), e pt, ora se conservam, ora se eliminam.

Assim:
a) Conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da língua:

compacto
ficção
pacto
convicção
friccionar
pictural
convicto



adepto
díptico
erupção
inepto
núpcias
rapto
apto

eucalipto




b) Eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua:

ação
coleção
direção
exato
objeção
adoção
batizar
Egito
ótimo
acionar
coletivo
diretor


adotar



afetivo








aflição








aflito








ato









c) Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento:


e

e

e
aspecto
aspeto
facto
fato
sector
setor
cacto
cato




caracteres
carateres




dicção
dição






e

e
ceptro
cetro
concepção
conceção


corrupto
corruto


recepção
receção


d) Quando, nas sequências interiores mpc, mpç e mpt se eliminar o p de acordo com o determinado nos parágrafos precedentes, o m passa a n, escrevendo-se, respectivamente nc, e nt:



e

e

e
assumpcionista
assuncionista
peremptório
perentório
sumptuoso
suntuoso
assumpção
assunção


sumptuosidade
suntuosidade
assumptível
assuntível





2º) Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento:

o b da sequência bd, em súbdito;

o b da sequência bt, em subtil e seus derivados;

o g da sequência gd, em




amígdala
amigdalácea
amigdalóide
amigdalar
amigdalopatia
amigdalato
amigdalotomia
amigdalite


o m da sequência mn, em

amnistia
amnistiar

indemne
indemnidade
indemnizar
omnímodo
omnipotente
omnisciente
etc.;

o t, da sequência tm, em aritmética e aritmético.

Base V: Das vogais átonas
1º) O emprego do e e do i, assim como o do o e do u, em sílaba átona, regulase fundamentalmente pela etimologia e por particularidades da história das palavras. Assim se estabelecem variadíssimas grafias:

A) Com e e i:
E
ameaça
balnear
campeão
enseada
Floreal
janeanes
lêndea
Leopoldo
amealhar
boreal
Ceará
enteado


Leonardo
Leote
antecipar

côdea



Leonel
linear
arrepiar





Leonor


meão
nomear
peanha
quase
em vez de quási
real
semear
várzea
melhor





semelhante


cardeal: prelado, ave planta; diferente de cardial = “relativo à cárdia”,

I
ameixial
capitânia

diante
ferregial


Ameixieira
cordial
adjetivo e substantivo
diminuir
Filinto


amial
corriola

Dinis
Filipe
e identicamente
Filipa, Filipinas
amieiro
crânio


freixial


arrieiro
criar





artilharia







giesta
Idanha
lampião
pátio
tigela
Vimieiro

igual
limiar
pior
tijolo
Vimioso

imiscuir-se
Lumiar




inigualável
lumieiro




b) Com o e u:

abolir
borboleta
cobiça
díscolo
êmbolo
farândola
girândola
jocoso
Alpendorada

consoada

engolir
femoral
goela

assolar

consoar

epístola
Freixoeira




costume

esbaforir-se







esboroar









mágoa
névoa
óbolo
Páscoa
Rodolfo
távoa

nódoa

Pascoal

tavoada



Pascoela

távola



polir

tômbola

veio (substantivo e forma do verbo vir);

açular
bulir
camândulas
embutir
fémur
fêmur
glândula
ínsua
jucundo
légua
água

curtir
entupir
fístula




Luanda
aluvião

curtume






lucubração
arcuense








lugar
assumir










mangual
Nicarágua
pontual
régua
tábua
virtualha
Manuel



tabuada

míngua



tabuleta





trégua


2º) Sendo muito variadas as condições etimológicas e histórico-fonéticas em que se fixam graficamente e e i ou o e u em sílaba átona, é evidente que só a consulta dos vocabulários ou dicionários pode indicar, muitas vezes, se deve empregar-se e ou i, se o ou u. Há, todavia, alguns casos em que o uso dessas vogais pode ser facilmente sistematizado. Convém fixar os seguintes:

a) Escrevem-se com e, e não com i, antes da sílaba tónica/tônica, os substantivos e adjetivos que procedem de substantivos terminados em – eio e – eia, ou com eles estão em relação direta. Assim se regulam:



por

por

por
aldeão

aldeia
baleal
baleia
cadeado
cadeia
aldeola


candeeiro
candeia
aldeota


centeeira
centeio
areal

areia


centeeiro
areeiro


colmeal
colmeia
areento


colmeeiro
Areosa


correada
correia
aveal
aveia


correame

b) Escrevem-se igualmente com e, antes de vogal ou ditongo da sílaba tónica/tônica, os derivados de palavras que terminam em e acentuado (o qual pode representar um antigo hiato: ea, ee):

galeão

de galé
coreano
de Coreia
daomeano
de Daomé
galeota




galeote





guineense
de Guiné
poleame
de polé


poleeiro

c) Escrevem-se com i, e não com e, antes da sílaba tónica/tônica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula – iano e –iense, os quais são o resultado da combinação dos sufixos –ano e –ense com um i de origem analógica (baseado em palavras onde –ano e –ense estão precedidos de i pertencente ao tema:





açoriano
de Acre
duriense

acriano
flaviense

camoniano

siniense
de Sines
goisiano
relativo a Damião de Góis
torriano
de Torre(s)
horaciano

torriense
italiano



sofocliano




d) Uniformizam-se com as terminações –io e –ia (átonas), em vez de –eo e –ea, os substantivos que constituem variações, obtidas por ampliação, de outros substantivos terminados em vogal:


de
cúmio (popular)
cume
hástia
haste
réstia
antigo reste
véstia
veste

e) Os verbos terminados em –ear podem distinguir-se praticamente, grande número de vezes, dos verbos terminados em –iar, quer pela formação, quer pela conjugação e formação ao mesmo tempo. Estão no primeiro caso todos os verbos que se prendem a substantivos em –eio ou –eia (sejam formados em português ou venham já do latim); assim se regulam:


por

por
aldear
aldeia
pear
peia
alhear
alheio
encadear
cadeia
cear
ceia



Estão no segundo caso todos os verbos que têm normalmente flexões rizotónicas/rizotônicas em –eio, -eias, etc.:

clarear
delinear
falsear
granjear
hastear
nomear
semear

devanear

guerrear




Existem, no entanto, verbos em –iar, ligados a substantivos com as terminações átonas –ia ou –io, que admitem variantes na conjugação:

cf.(conforme)

cf.(conforme)

negócio
negoceio
prémio/prêmio
premeio

ou negocio

ou premio

f) Não é lícito o emprego do u final átono em palavras de origem latina.
Escreve-se, por isso:


em vez de

em vez de
moto
mótu
tribo
tríbu

g) Os verbos em –oar distinguem-se praticamente dos verbos em –uar pela sua conjugação nas formas rizotónicas/rizotônicas, que têm sempre o na sílaba acentuada:

abençoar
abençoo
abençoas
destoar
destoo
destoas
acentuar
acentuo
acentuas

Base VI: Das vogais nasais
Na representação das vogais nasais devem observar-se os seguintes preceitos:

1º) Quando uma vogal nasal ocorre em fim de palavra, ou em fim de elemento seguido de hífen, representa-se a nasalidade pelo til, se essa vogal é de timbre a;
por m, se possui qualquer outro timbre e termina a palavra;
e por n, se é de timbre diverso de a e está seguida de s:

ã
m
ns
m
ns
afã
clarim
clarins
flautim
flautins
grã
tom
tons
semitom
semitons
Grã-Bretanha
vacum
-
zunzum
zunzuns
lã




órfã





sã-braseiro: forma dialetal; o mesmo que são-brasense = de S. Brás de Alportel).

2º) Os vocábulos terminados em –ã transmitem esta representação do a nasal aos advérbios em –mente que deles se formem, assim como a derivados em que entrem sufixos iniciados por z:

cristãmente, irmãmente, sãmente; lãzudo, maçãzita, manhãzinha, romãzeira.

Base VII: Dos ditongos
1º) Os ditongos orais, que tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, distribuem-se por dois grupos gráficos principais, conforme o segundo elemento do ditongo é representado por i ou u: ai, ei, éi, ui; au, eu, éu, iu, ou: